“Sei que há léguas a nos separar, tanto mar, tanto mar, sei, também, como é preciso, navegar, navegar, canta primavera, pá, cá estou carente, manda novamente algum cheirinho de alecrim…” Com esses versos da canção de Chico Buarque “Tanto Mar”, parabenizo os organizadores do I Encontro de Escritores da Língua Portuguesa de Natal”, pois considero toda iniciativa que promova a literatura e a escrita neste país é válida, principalmente se tratando de um lugar onde o presidente da República se vangloria de não gostar de ler livros e achar bonito quem fala errado como lembrou bem o escritor João Ubaldo Ribeiro. No Brasil, segundo pesquisa, infelizmente, 420 cidades não possuem bibliotecas municipais.
Antes que um apressadinho faça um pré julgamento, gostaria de lembrar que não sou funcionário e não tenho cargo na prefeitura do Natal, mesmo com amizade e respeito que tenho pela prefeita Micarla de Souza não votei nela, apesar dela ser do Partido que ajudei a fundar no RN em 1987, pois desde 2007 deixei o Partido Verde- PV e me filiei ao PSOL, Partido Socialismo e Liberdade, da brava Heloísa Helena.
Quanto ao Encontro relatarei alguns fatos. No primeiro dia, tivemos o lirismo da poesia do escritor de Timor Leste Luís Cardoso Takas que encantou a todos pelo seu talento e simplicidade. Do Rio Grande do Norte, a participação brilhante de alguns escritores: Lívio Oliveira, Diógenes da Cunha Lima, Tarcísio Gurgel, Pablo Capistrano e a filha do mestre Câmara Cascudo, Ana Maria, que encheu de orgulho os norteriograndenses. Muito boa a palestra do mestre João Ubaldo que surpreendeu a todos quando disse que conheceu a esposa, há 32 anos aqui no teatro Alberto Maranhão, do genial escritor angolano José Eduardo Agualusa e a escritora de São Tomé e Príncipe, Inocência da Mata, que disse do orgulho de ter nascido na Ilha de Príncipe. Por falar em Inocência da Mata, o fato pitoresco do segundo dia foi quando o poeta paraibano Pedro Bandeira, num gesto de irreverência, citando os nomes dos membros da mesa, disse:” De inocente, Inocência não tinha nada”.
Na parte musical os shows foram ótimos: concerto da orquestra de Violoncelos da UFRN, a apresentação da cantora Valéria Oliveira foi o que de melhor assisti de cantores natalenses naquele teatro nos últimos dez anos, sua interpretação para a música “Quando” do rei Roberto Carlos foi simplesmente maravilhosa. O paraibano Chico César levou o público ao delírio, principalmente quando cantou “Mama África”, pois ali havia vários escritores africanos. Como sugestão para o próximo encontro é imprescindível a participação dos professores de Português da rede municipal de Natal, que este ano foi negada. Também se deve tirar o nome coffee break para o intervalo do EELP. O café precisa ser melhorado, pois café com bolacha não dá. Por que não sucos naturais e um bolinho de bacalhau? Na área de shows um cantor de fado português caíria bem, assim como um cantor africano de um país participante.
Finalizando, homenageio os participantes na pessoa do professor Carlos Reis da Universidade de Coimbra, cantando :”Coimbra do Choupal ainda és capital do amor em Portugal, ainda… Coimbra dos doutores pra nós os seus cantores, a fonte dos amores és tu…”
José Normando Bezerra
Geógrafo e Professor
Natal-RN

Sem comentários, Comentário ou Ping
Respostas a “EELP, um ótimo encontro”