Discos de vinil ainda têm uma legião de fãs

Eu diria que ainda têm uma legião e está formando outra.

Leia, ouça e veja, na opinião de Nelson Motta, um dos maiores especialistas brasileiros em música o que está rolando com a volta do vinil.

É uma realidade! E felizmente estamos participando dela.

A era é digital. Aparelhos de MP3 estão no bolso de quase todo mundo e ainda tem muita gente que está redescobrindo os discos de vinil.

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O LP já virou cassete, CD, MP3 e até pendrive, mas os velhos discos de vinil continuam com legiões de fãs dispostos a pagar fortunas por raridades, ou simplesmente interessados em ouvir seus artistas favoritos, com um som que nenhum equipamento digital lhes dá. A começar pelos estalos e chiados.

Os grandes fãs do vinil não são só os coroas de rabo de cavalo, que tem saudades do tempo em que o rock era jovem. Muitos jovens high tech, a começar pelos DJs, adoram o vinil, pela potência e o peso do som na pista. Para eles, nenhum digital consegue reproduzir um pancadão dançante como o vinil.

No Brasil, a gravadora Deck Disc comprou uma velha fábrica, reformou e modernizou, e está lançando bolachões com seus artistas: Pity, Fernanda Takai, Nação Zumbi e Cachorro Grande. É a única fabrica da América Latina e vai atender também o Chile e a Argentina. As tiragens ainda são pequenas, mas já nem tanto, perto da mixaria que estão vendendo os CDs.

Discos dos Beatles, dos Beach Boys, dos Rolling Stones e de Jimi Hendrix foram lançados com sucesso em vinil. Mas não são mais aqueles discos fininhos, que arranham à toa, agora são de um vinil muito mais denso, com melhor som e mais durabilidade.

Mas não são só roqueiros os fãs da bolacha preta, discos de novas estrelas como Amy Winehouse, o Radiohead e o Coldplay também estão ‘bombando’ em vinil. E os fãs adoraram e não se importaram em pagar mais caro do que um CD.

Por mais que aumente o mercado da música digital, o do vinil também cresce. No Brasil, cada vez mais artistas estão lançando seus discos em CD, MP3, pendrive e vinil ao mesmo tempo. Os mais recentes e mais importantes foram Lenine, com La Biata, e o uruguaio Jorge Drexler, com Amar lá Trama, que é maravilhoso em qualquer formato.

A velha discussão não vai parar: que som é melhor, o do CD ou o do vinil? É cada ouvido uma sentença, mas desconfio que a maioria não saberia diferenciar um som de outro no escuro. Mas eu continuo achando que não há som gravado, digital ou analógico, que se compare a assistir um show ao vivo.

Este conteúdo foi publicado em 08.04.2010 às 16h52.
Seções: Notas.

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